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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Crianças precisam conviver com crianças .
Todos nós gostamos de conviver com nossos semelhantes . Se formos adeptos à praticar esportes normalmente, seremos atraídos por pessoas com a mesma preferência , se pendemos para o lado literário e gostamos de ler , queremos ter ao nosso redor pessoas com o mesmo hábito para trocar idéias e contar o que lemos.
Sempre foi assim, nos sentimos melhores e aprendemos muito com nossos pares. As crianças não são diferentes. Mesmo titubeando ao andar e usando pouco a expressão verbal a criança também sente necessidade de conviver com seus pares , isto é, com outras crianças que possuam o mesmo interesse. O ideal são crianças brincarem com crianças da mesma faixa etária.
Às vezes converso com mães que relatam ficar horas brincando com seus filhos e nesse momento se tornam crianças , o que é muito saudável e importante para o desenvolvimento da mesma . Porém, a necessidade continua, a criança precisa ter esse exercício social . Relacionando-se com outra criança ela amadurecerá , aumentará seu vocabulário , buscará estratégias para lidar com situações novas e seu desenvolvimento social, emocional e cognitivo serão altamente estimulados. Sem contar que o aprendizado durante sua infância será carregado pelo resto da vida.
Outro dia li um e-mail que fazia um paralelo entre o jardim da infância e a vida profissional e emocional do ser humano e conclui que se resolvêssemos as coisas com a praticidade de uma criança a vida seria mais leve.
Pensando neste texto resolvi traçar alguns paralelos sobre as ações das crianças frente às situações do dia – a – dia , comparando-as com atitudes de um adulto e suas conseqüências.
Se uma criança quer o brinquedo da outra , ela automaticamente vai buscar estratégias mentais para alcançar o que quer. Quando adulto, se eu quero algo tenho que planejar como consegui-lo e vou em busca de experiências adquiridas para elaborar estratégias e planejar como alcançar meu objetivo. Isso pode acontecer de muitas maneiras:
A criança pode ficar apenas olhando o brinquedo do amigo e sentindo muita vontade de brincar com ele, manuseá-lo e imaginar o prazer da conquista. Se ela não for estimulada por um adulto a dar o primeiro passo , e ir em busca de seu objetivo , vai passar a vida olhando o que quer, e quando se tornar um adulto não saberá tomar decisões e nunca tomará iniciativa para alcançar seus objetivos.
A criança pode simplesmente arrancar o brinquedo da mão do amigo e sair correndo. Nesse caso também, a interferência do adulto é salutar. Ele conversará com a criança e orientará para que ela peça as coisas aos outros e não simplesmente arranque da mão dos amigos. Se ela conseguir alcançar seus objetivos desta forma, desde pequena , quando adulto fará o mesmo.
Outro modo que a criança tem para conseguir seu brinquedo , é bater, morder ou empurrar o amigo que o possui, pois dessa forma o amigo se sentirá intimidado entregando-lhe o brinquedo. Neste caso, cabe ao adulto orientar a criança que dessa forma o amigo não emprestará o brinquedo e que o mais certo, é pedi-lo . Porém ,se essa criança faz uso da força para conseguir o que quer, quando adulto sofrerá muito, pois sempre encontrará alguém mais forte e poderá sofrer conseqüências.
A criança também pode optar pela troca, você me empresta seu brinquedo e eu faço o mesmo. Desse jeito, ela perceberá que o mesmo cuidado que ela deve ter com o brinquedo do amigo, ele deverá ter com o dela. Quando adulto respeitará mais o que é do outro, sabendo negociar com mais facilidade seus desejos e conquistas.
Essas situações não ocorreriam se um pai brincasse com seu filho, pois nenhum adulto irá disputar um brinquedo com uma criança, ou agirá de forma impulsiva nessa relação. Já a criança age muito de forma impulsiva, o que é saudável, pois aguça sua inteligência e a faz mais criativa, pensante e ativa dentro de um contexto social.
O melhor lugar para que a criança exerça seu papel é a escola. Lá as crianças são agrupadas por faixa etária e os interesses são semelhantes, as brincadeiras são adequadas e os estímulos constantes.
A vivencia e o brincar são fontes inesgotáveis de possibilidades de crescimento.
Por isso, deixe seu filho conviver mais com crianças, trocar experiências e se arriscar mais . Com certeza ele será um adulto melhor e saberá lidar com as diferentes situações do dia – a – dia .
Quer saber mais sobre esse assunto?
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Educação inclusiva
Se pesquisarmos sobre educação inclusiva, encontraremos muitas teorias defendendo a participação ativa da criança dentro do ensino regular. Em uma das pesquisas que fiz encontrei uma que define de forma objetiva este tema: "A Educação Inclusiva implica um processo contínuo de melhoria da escola, com o fim de utilizar todos os recursos disponíveis, especialmente os recursos humanos, para promover a participação e a aprendizagem de todos os alunos, no seio de uma comunidade local.A Declaração de Salamanca sustenta que as escolas regulares com uma orientação inclusiva são o meio mais eficaz de combater atitudes discriminatórias, de criar comunidades acolhedoras, de edificar uma sociedade inclusiva e de conseguir educação para todos. Além disso, proporcionam uma educação adequada à maioria das crianças e promovem a eficiência, numa ótima relação custo-qualidade, de todo o sistema educativo."Ainscow, Mel. (1999)Quando lecionava em uma escola particular, havia, naquela época uma classe de alunos especiais. Todas as crianças da escola os tratavam de modo diferente, alguns zombavam, outros ajudavam, outros simplesmente ignoravam. Até a professora da turma era citada como “alguém especial”, pois tinha muita paciência com “aqueles alunos”, aplicava práticas pedagógicas diferenciadas, saía cantando ou fazendo algo totalmente fora do tradicional com os alunos. Hoje percebo que ela era a que mais se divertia com seu pequeno grupo. Porém, por muitas vezes a escola passou por situações delicadas com o preconceito e a discriminação que existe na sociedade.
Quando falamos em educação inclusiva , pensamos diretamente no papel do professor. É ele que enfrenta as dificuldades no dia-a-dia , precisando controlar uma classe com muitas crianças, ativas e questionadoras, precisando dar a mesma qualidade de ensino para um aluno com menos compreensão, porém com total direito a participar de tudo o que a escola tem para oferecer.
Muitas escolas nomeiam-se inclusivas , porém em sua prática diária , nada sabem ou nada mudam para receber esse aluno. A escola regular precisa, para ser inclusiva, mudar alguns papéis. Deve-se trabalhar com a equipe de professores, coordenadores e pais propiciando uma troca e uma especialização para que juntos, integrem este aluno e sua família ao contexto escolar. O professor precisa buscar novas estratégias, baseando-se em pesquisas e no suporte técnico oferecido pela unidade escolar, pois além das mudanças na rotina e na proposta pedagógica, a escola deve oferecer o mínimo de condições físicas para receber este aluno.
Se por ventura o aluno especial contar com o atendimento da escola regular e também receber apoio de profissionais especializados, a integração entre as equipes deverá acontecer rapidamente: quando todos falarem a mesma língua e objetivarem o crescimento e o desenvolvimento do aluno no processo de inclusão, todas as partes sairão ganhando.
Também é comum observar o professor que recebe em sua classe diversos alunos em diferentes níveis de aprendizado, alguns com necessidades especiais, outros com dificuldades no processo de aprendizagem. Conciliar uma turma tão heterogênea é uma arte, para a qual o professor precisa do suporte da escola.
Sempre escrevo em meus artigos para o professor olhar com atenção para seus alunos. Agora meu apelo é para os diretores de escola olharem com atenção para seus professores que criam, ampliam e renovam a cada dia a forma de lidar e desenvolver os conteúdos com seus alunos. O aluno precisa do professor assim como o professor precisa do apoio da direção e coordenação, para enfrentar com sucesso as dificuldades da educação brasileira. Com dedicação e apoio por parte do professor, o aluno que precisa da escola como elo entre a sua necessidade e a busca pela aceitação social terá nesta ação um foco para seu desenvolvimento.
No Brasil existe um programa de inclusão que garante o acesso de todas as crianças e adolescentes com necessidades educacionais especiais ao sistema regular educacional público. Estas leis regularizam a educação de inclusão:
Constituição Federal de 1988 - Educação Especial
Lei nº 9394/96 – LDBN - Educação Especial
Lei nº 8069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente - Educação Especial
Lei nº 10.436/02 – Libras
Bibliografia:
Titulo: Caminhos pedagógicos da inclusão
Autor: Maria Teresa Egler Mantoan
Editora: Memnon
Titulo: Inclusão: um guia para educadores
Autor: Susan Stainback
Editora: Artes Médicas
Titulo: Removendo barreiras para a aprendizagem: educação inclusiva
Autor: Rosita Edler Carvalho
Editora: Mediação
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