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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O olhar atento de um professor pode ajudar muito um aluno!


Conversei com uma amiga que recentemente passou com seus dois filhos por um assalto. Além do trauma que esta experiência trouxe, no assalto foi roubado todo o material escolar dos meninos que estava no carro. No dia seguinte, minha amiga foi à escola e conversou com a coordenação comentando o ocorrido e solicitando orientação de como organizar novamente a vida escolar dos meninos. Os livros roubados seriam comprados, porém surgiu a dúvida de como agir com o conteúdo que estava nos cadernos. A coordenação foi muito prática nesta questão, o que já havia sido assimilado e avaliado, poderia ficar para trás, apenas conteúdos de português e matemática que ainda seriam avaliados precisariam ser xerocados de outro caderno. A professora do filho menor que está no fundamental 1 solicitou que o caderno de caligrafia fosse refeito. Minha amiga discordou da professora dizendo que o menino havia passado por um trauma muito sério com relação ao assalto, estava apresentando reações de medo e insegurança e que o exercício motor que o caderno de caligrafia propunha já havia sido feito anteriormente! Concordei com ela. Mas o que quero ressaltar dessa história toda é a sensibilidade do professor de ensino fundamental 1 frente a uma questão emocional e traumática do aluno. Vejo que o enfoque era o caderno de caligrafia e o material perdido e não a estrutura emocional dessa criança.
Peço a vocês uma reflexão: Um aluno bem emocionalmente, com estruturas sólidas, consegue atingir melhor os objetivos propostos pela escola. Se isso é um fato, porque o professor não dá a devida importância?
Vejo muitos professores focando sua aula em conteúdos , quando a turma toda precisa de atenção, e atividades que a façam equilibrar-se emocionalmente.
Quando uma criança passa por um trauma ou a turma toda, como foi o caso da escola de Realengo no Rio de Janeiro, a professora, ou melhor, toda a equipe deve ficar atenta para ajudar esse aluno, não só pensando no que se perdeu, mas sim em como ajudá-lo a voltar para uma rotina emocionalmente saudável.
Em uma entrevista Juan Casassus, filósofo e sociólogo chileno afirma que a importância dos fatores emocionais ligados a aprendizagem é muito importante e tem um peso fundamental no desenvolvimento do aluno. Segundo Casassus “Quando os estudantes se sentem aceitos, os músculos se distendem e o corpo relaxa. O reflexo disso é que eles se tornam mais seguros. Assim, o medo se reduz, as crianças ficam mais espontâneas e participativas e sem temor de cometer erros - quero sublinhar que o mecanismo da tentativa e erro é fundamental para aprender. Confiantes, elas são capazes de mostrar até mesmo o momento em que o interesse pelo assunto tratado em sala desaparece - e o porquê de isso ter ocorrido. Construir uma relação assim pode demorar, mas certamente nunca será desperdício de tempo.”
Nesta situação de trauma, o professor precisa ter a habilidade de observar o aluno e ajudá-lo, neste caso a palavra mais adequada e que todo professor deve conhecer é a resiliência.
Recentemente li um artigo da professora Dra. Sandra Maia Farias Vasconcelos que nos mostra como lidar com situações de traumas. Leia a seguir:
“Há mais de quarenta anos, a ciência tem-se interrogado sobre o fato de que certas pessoas têm a capacidade de superar as piores situações, enquanto outras ficam presas nas malhas da infelicidade e da angústia que se abateram sobre elas como numa rede engodada. Por que certos indivíduos são capazes de se levantar após um grande trauma e outros permanecem no chamado fundo do poço, incapazes de, mesmo sabendo não ter mais forças para cavar, subir tomando como apoio as paredes desse poço e continuar seu caminho?
As experiências e estudos feitos têm mostrado algumas explicações científicas sobre esse fato. A biologia defende o ponto de vista de que cada ser humano é dotado de um potencial genético que o faz ser mais resistente que outros. A psicologia, por sua vez, dá realce e importância das relações familiares, sobretudo na infância, que construirá nesse individuo a capacidade de suportar certas crises e de superá-las. A sociologia vai fazer referência à influência do entorno, da cultura, das tradições como construtores dessa capacidade do individuo de suplantar as adversidades. A teologia traz um aporte diferente pela própria subjetividade transcendente, uma visão outra da condição humana e da necessidade do sofrimento como fator de evolução espiritual: o célebre “dar a outra face”.
Mas foi o cotidiano das pessoas que passam por traumas, que realmente atravessam o vale das sombras, o que realmente atraiu a curiosidade de cientistas do mundo inteiro. Não são personagens de ficção que se erguem após a grande queda; são homens, mulheres, crianças, velhos, o individuo comum do mundo que retoma sua vida após a morte de um filho, a perda de uma parte de seu corpo, a perda do emprego, doenças graves, físicas ou psíquicas, em si mesmo ou em alguém da família, razões suficientes para levar um individuo ao caos. Esses que são capazes de continuar uma vida de qualidade, sem autopunições, sem resignação destruidora, que renascem dos escombros, esses são seres resilientes.
A resiliência é um termo oriundo da física. Trata-se da capacidade dos materiais de resistirem aos choques. Esse termo passou por um deslizamento em direção às ciências humanas e hoje representa a capacidade de um ser humano de sobreviver a um trauma, a resistência do individuo face às adversidades, não somente guiada por uma resistência física, mas pela visão positiva de reconstruir sua vida, a despeito de um entorno negativo, do estresse, das contrições sociais, que influenciam negativamente para seu retorno à vida. Assim, um dos fatores de resiliência é a capacidade do individuo de garantir sua integridade, mesmo nos momentos mais críticos.
Não se é resiliente sozinho, embora a resiliência seja íntima e pessoal. Um dos fatores de maior importância é o apoio e o acolhimento, feito em geral por outro individuo.”
Assim como o filho da minha amiga terá que ser resiliente com o apoio da família e da escola, aquelas crianças de Realengo-RJ também, porém a ajuda do professor é fundamental neste processo.
Professor leia mais, procure informações pertinentes ao bem estar emocional do seu aluno, com certeza você fará a diferença na vida dele!






terça-feira, 6 de setembro de 2011

Lição de casa !!!!



Fui entrevistada pelo site: Mães e filhos .com, falando sobre esse tema tão preocupante para alguns pais!!!
Boa leitura!!!

Sejam elas pequenas ou já mais crescidas, o fato é que para muitas crianças a hora de fazer a lição de casa é um verdadeiro tormento. Afinal, ter de parar de brincar simplesmente para fazer o dever escolar dá muita preguiça! Motivá-las a cumprir as tarefas é dever dos pais, que também podem contar com a ajuda da própria escola.

Segundo a psicopedagoga Debora Corigliano, o momento da lição de casa deve ser acima de tudo prazeroso. Mas, será que isto é mesmo possível? Bom, na entrevista a seguir, ela orienta pais e mães nesta importante e inevitável tarefa!
- Desde o primeiro momento em que as crianças começam a levar tarefas escolares para casa, os pais tendem a ficar ansiosos. Neste início, quando a criança tem em torno de 4 anos, os pais devem ajudá-la a fazer a tarefa? De que forma?
Debora – Sim, por ser o primeiro contato da criança com esta atividade, os pais devem estar presentes orientando-a como conduzir a tarefa. Esta atividade deve ser prazerosa para ambos, pois se houver conflito e desarmonia a criança ficará com a impressão de que fazer lição de casa é ruim. Nesta idade, os pais podem ajudar lendo o enunciado da lição e oferecer condições para que a criança realize com sucesso. Jamais os pais deverão fazer a lição pela criança!
- A partir de que fase os pais já devem deixar a criança sozinha no ambiente para fazer a lição?
Debora – Primeiro os pais devem ensinar a criança a ter uma rotina de horário para a lição de casa. A autonomia só poderá ser dada quando a criança já souber ler e entender o que pede a lição. Mesmo que ela faça sozinha, sempre deve haver uma supervisão por parte dos pais. É importante ressaltar que a supervisão deve ser feita logo após a lição ter sido concluída. Não é proveitoso deixar a criança sozinha fazendo a lição de casa à tarde por exemplo, e só a noite quando a mãe chega, solicitar os cadernos para ver se tudo foi feito certo. Dessa forma a criança irá deixar tudo para ser feito a noite e com certeza essa ação causará um desentendimento familiar.
- Se percebem que há respostas incorretas na lição, os pais devem interferir e corrigir para que a tarefa chegue completamente correta à sala de aula?
Debora – Essa pergunta deve ser feita para a professora logo no começo do ano, pois há escolas que preferem que a lição de casa venha com os erros para poder avaliar melhor o aluno. A interferência dos pais nessa ação deve ser de forma a agregar o conhecimento do aluno e não de forma punitiva, como geralmente acontece. Às vezes o aluno não entendeu a lição de casa e por esse motivo a fez errado. A comunicação entre escola e família se faz importante neste momento.
- Quando vão ficando maiorzinhas, percebemos que muitas crianças já demonstram um pouco de preguiça em fazer a lição. Como os pais devem estimulá-las a fazer a tarefa? Prometer uma recompensa, como algum presentinho, é correto?
Debora – O mais adequado é ter uma rotina com tempo de estudo. Isto deve ser definido em comum acordo com a criança. Digamos que o tempo estipulado para o estudo (lição de casa) será de 40 minutos diários ( isso é variável de acordo com a idade da criança). Se ela faz a lição em 10 minutos para se livrar da responsabilidade ela terá ainda 30 minutos para fazer atividades relacionadas a escola, por exemplo ler um livro, fazer uma palavra cruzada, pesquisar algo que envolva o conteúdo da escola. Isso reforça uma rotina de estudo. Esta estratégia de determinar horários pode ser usada para várias atividades, como o tempo de ficar no computador, game, vendo tv, etc… Quando a criança ajuda a organizar estes horários ela é co-responsável e fica mais fácil para cumprir. Quanto às recompensas, sou contra. O estudo é uma atividade importante e deve ser feito com responsabilidade e a própria recompensa é o sucesso na escola e futuramente na vida profissional.



- E se a criança começa a se recusar a fazer a lição e o dia a dia doméstico passa a ficar tumultuado por desentendimentos entre pais e filhos? Como resolver o problema? Castigo resolve?
Debora – Acho que na resposta anterior cito estratégias para evitar este conflito. Reforço que o momento da lição de casa e do estudo deve ser prazeroso e cabe aos pais proporcionar isso aos filhos. Caso não consigam, o melhor a fazer é pedir ajuda na escola.
- Qual a receita imbatível para se criar uma rotina em que a lição de casa seja feita sempre com calma e atenção e nunca fique em branco?
Debora - Torná-la prazerosa e com obtenção de pequenos sucessos. Quando uma criança realiza algo (referente ao estudo) e obtém pequenos sucessos (elogios, acertos, orgulho por realizá-lo), sente-se motivada e fazer. No processo de desenvolvimento do estudo, o erro se faz presente. É importante mostrar para a criança que errar faz parte e que juntos poderão superar as dificuldades. Saber lidar com o erro, aceitá-lo e agir em função do acerto deve partir do exemplo dos pais.


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

DIA DO PROFESSOR

PARABÉNS PROFESSOR!!!!! VOCÊ É ESPECIAL....


Professor... Exemplo

Antigamente professores e médicos tinham o mesmo respeito perante a sociedade. Quando um pai ou mãe falavam:- meu filho é um professor ou meu filho é um doutor, a reação positiva era a mesma. Hoje o professor perdeu um pouco seu mérito, devido às mudanças sociais e a desvalorização da profissão. Atualmente a média salarial de um professor é muito diferente relacionada ao médico. Porém uma coisa se manteve, a importância do professor dentro do processo de aprendizagem. O professor é muito importante, talvez nem ele próprio se dê conta de sua real acuidade e do peso que suas atitudes e exemplos exercem em seus alunos. Desde a educação infantil até o ensino superior, o professor tem por obrigação ser exemplo para seus alunos. São exemplos simples como o respeito, a dignidade, o diálogo entre muitos atributos fáceis do nosso dia – a – dia. Não devemos esquecer que até o médico precisou de um professor!

Um bom professor precisa conhecer bem seus alunos, não estou dizendo “cada” aluno dentro de suas particularidades, que também é muito importante, e sim tudo o que se relaciona a faixa etária que ele pertence.

Às vezes vemos professores com a mesma turma há anos, e comentam que isso facilita muito o trabalho porque já conhecem tudo sobre essa idade, ledo engano, pois as crianças evoluem. Seu aluno de 8 anos de hoje é diferente do aluno de 8 anos há 5 anos passados. Por esse motivo o professor deve conhecer bem as necessidades, mudanças físicas, emocionais e ansiedades de cada faixa etária. Isso facilitará muito o relacionamento com os alunos e sua tarefa na educação será mais tranqüila.

Professores de pré – adolescentes devem saber que seus alunos estão passando por uma transformação física e emocional. São crianças que esbarram muito nos objetos, e os deixam cair, são crianças que estão ora extremamente felizes e em outros momentos tristes e calados e assim por diante. Várias alterações no comportamento do pré- adolescente acabam por prejudicá-lo dentro da aprendizagem. Se o professor conhece bem essa fase, saberá lidar melhor com seus alunos e eles perceberão essa situação e farão da relação de vocês algo saudável e positivo.

Essas informações seus alunos são facilmente acessíveis através de sites na internet, livros sobre o desenvolvimento infantil. Busque conhecer melhor o comportamento de seus alunos, troque idéias com seus colegas, façam reuniões entre professores que atuam com a mesma faixa etária e se cada um trouxer uma informação pertinente ao grupo, com certeza todos sairão ganhando, principalmente seus alunos.

Você pode obter essas informações até de seus próprios alunos. Faça alguma dinâmica com eles sobre o que sentem como pensam, quais são suas atitudes nas várias situações vividas. Isso o ajudará muito, anote o que for pertinente e compare depois de alguns meses e perceba a diferença. Isso é a maturidade. Um bom professor percebe ao longo do ano a maturidade de seus alunos, use isso a seu favor.

“o professor pensa ensinar o que sabe o que recolheu nos livros e da vida, mas o aluno aprende do professor não necessariamente o que o outro quer ensinar, mas aquilo que quer aprender.” Affonso Romano de Sant’ Anna.



Débora Corigliano

Psicopedagoga.


segunda-feira, 8 de março de 2010

Projeto Chave Mestra



Criado pela psicopedagoga Débora Corigliano, o Projeto Chave Mestra nasceu da necessidade do educador em lidar com as dificuldades que seus alunos apresentam dia – a – dia. Este projeto visa o desenvolvimento saudável da criança, dentro do contexto escolar apoiando, informando e colaborando na ação do professor.
Após pesquisas com educadores, notou-se uma preocupação em trabalhar com projetos ou até mesmo dinâmicas diferenciadas para ajudar o aluno com dificuldades no seu desenvolvimento escolar. Com a atenção do professor e a participação dos pais, muitos problemas são resolvidos com facilidade, segurança e o professor sente-se motivado a continuar seu trabalho.
Público-alvo – Educadores da Educação Infantil e Fundamental de escolas Públicas e Privadas – Pais e comunidade escolar

Proposta

Através de palestras interativas, muitos temas são abordados de forma simples e direta, além de um texto de apoio ao professor.
As palestras são realizadas nas escolas, em salas de aula, auditórios ou em outro local adequado para o acolhimento dos professores e quando necessário para os pais também.
Temas como:

Quem é meu aluno? (destinada a cada faixa etária, com observações sobre os aspectos, emocional, físico, motor e cognitivo)

Bullyng na educação infantil. Como lidar?

Reunião de pais. Como cativar e envolver os pais dos alunos no contexto escolar.

Dificuldades de aprendizagem.

Limites e respeito.

Regras e combinados.

Incentivo a Leitura.

Estes e muitos outros temas são apresentados em forma de palestras rápidas e pertinentes a realidade da escola. Outros temas são apropriados a orientação de pais e podem ser apresentadas nas reuniões escolares.

Sobre a autora

Débora Corigliano é mãe de dois filhos, psicopedagoga e criadora do PROJETO PAIS E FILHOS. Atua como orientadora educacional em instituições e realiza um trabalho de orientação aos pais no processo de educação e relacionamento com seus filhos. Em 2009 lançou o livro “Orientando pais, educando filhos” pela Editora Autores Associados, com palestras em várias instituições de ensino. Realizou o lançamento do livro com uma palestra de orientação no Colégio N.Sra. do Sion em SP, no COLE na UNICAMP e em vários colégios de Campinas e Região.

Colaboradora da revista Projetos Educacionais da Editora Online escrevendo artigos de orientação aos professores de educação infantil e de 1ª ao 5º ano e da revista Direcional Educador. Participa regularmente do programa Mulher. Com. da TV. Séc. 21 , orientando pais e educadores sobre assuntos relacionados a educação dos filhos.
Elaborou, redigiu e participou do Projeto Amigos da Escola da Rede Globo de Televisão, pela EPTV- Campinas, com a parceria e aprovação da UNDIME e CONSED nas fases de 2009 e 2010.

Contato: deboracorigliano@hotmail.com
verdequetequeroverde@uol.com.br 

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Educação inclusiva

Se pesquisarmos sobre educação inclusiva, encontraremos muitas teorias defendendo a participação ativa da criança dentro do ensino regular. Em uma das pesquisas que fiz encontrei uma que define de forma objetiva este tema: "A Educação Inclusiva implica um processo contínuo de melhoria da escola, com o fim de utilizar todos os recursos disponíveis, especialmente os recursos humanos, para promover a participação e a aprendizagem de todos os alunos, no seio de uma comunidade local.A Declaração de Salamanca sustenta que as escolas regulares com uma orientação inclusiva são o meio mais eficaz de combater atitudes discriminatórias, de criar comunidades acolhedoras, de edificar uma sociedade inclusiva e de conseguir educação para todos. Além disso, proporcionam uma educação adequada à maioria das crianças e promovem a eficiência, numa ótima relação custo-qualidade, de todo o sistema educativo."Ainscow, Mel. (1999)
Quando lecionava em uma escola particular, havia, naquela época uma classe de alunos especiais. Todas as crianças da escola os tratavam de modo diferente, alguns zombavam, outros ajudavam, outros simplesmente ignoravam. Até a professora da turma era citada como “alguém especial”, pois tinha muita paciência com “aqueles alunos”, aplicava práticas pedagógicas diferenciadas, saía cantando ou fazendo algo totalmente fora do tradicional com os alunos. Hoje percebo que ela era a que mais se divertia com seu pequeno grupo. Porém, por muitas vezes a escola passou por situações delicadas com o preconceito e a discriminação que existe na sociedade.
Quando falamos em educação inclusiva , pensamos diretamente no papel do professor. É ele que enfrenta as dificuldades no dia-a-dia , precisando controlar uma classe com muitas crianças, ativas e questionadoras, precisando dar a mesma qualidade de ensino para um aluno com menos compreensão, porém com total direito a participar de tudo o que a escola tem para oferecer.
Muitas escolas nomeiam-se inclusivas , porém em sua prática diária , nada sabem ou nada mudam para receber esse aluno. A escola regular precisa, para ser inclusiva, mudar alguns papéis. Deve-se trabalhar com a equipe de professores, coordenadores e pais propiciando uma troca e uma especialização para que juntos, integrem este aluno e sua família ao contexto escolar. O professor precisa buscar novas estratégias, baseando-se em pesquisas e no suporte técnico oferecido pela unidade escolar, pois além das mudanças na rotina e na proposta pedagógica, a escola deve oferecer o mínimo de condições físicas para receber este aluno.
Se por ventura o aluno especial contar com o atendimento da escola regular e também receber apoio de profissionais especializados, a integração entre as equipes deverá acontecer rapidamente: quando todos falarem a mesma língua e objetivarem o crescimento e o desenvolvimento do aluno no processo de inclusão, todas as partes sairão ganhando.
Também é comum observar o professor que recebe em sua classe diversos alunos em diferentes níveis de aprendizado, alguns com necessidades especiais, outros com dificuldades no processo de aprendizagem. Conciliar uma turma tão heterogênea é uma arte, para a qual o professor precisa do suporte da escola.
Sempre escrevo em meus artigos para o professor olhar com atenção para seus alunos. Agora meu apelo é para os diretores de escola olharem com atenção para seus professores que criam, ampliam e renovam a cada dia a forma de lidar e desenvolver os conteúdos com seus alunos. O aluno precisa do professor assim como o professor precisa do apoio da direção e coordenação, para enfrentar com sucesso as dificuldades da educação brasileira. Com dedicação e apoio por parte do professor, o aluno que precisa da escola como elo entre a sua necessidade e a busca pela aceitação social terá nesta ação um foco para seu desenvolvimento.

No Brasil existe um programa de inclusão que garante o acesso de todas as crianças e adolescentes com necessidades educacionais especiais ao sistema regular educacional público. Estas leis regularizam a educação de inclusão:
 Constituição Federal de 1988 - Educação Especial
 Lei nº 9394/96 – LDBN - Educação Especial
 Lei nº 8069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente - Educação Especial
 Lei nº 10.436/02 – Libras
Bibliografia:
Titulo: Caminhos pedagógicos da inclusão
Autor: Maria Teresa Egler Mantoan
Editora: Memnon

Titulo: Inclusão: um guia para educadores
Autor: Susan Stainback
Editora: Artes Médicas

Titulo: Removendo barreiras para a aprendizagem: educação inclusiva
Autor: Rosita Edler Carvalho
Editora: Mediação

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Afeto



Começo este artigo citando uma frase de Rubens Alves que descreve a diferença do afeto na carreira do professor / educador: “Professores, há aos milhares. Mas professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor. Educador, ao contrário, não é profissão; é vocação. E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança.”
Quando éramos alunos nos identificávamos com alguns professores, de alguns gostávamos mais, de outros nem tanto e conseqüentemente nosso rendimento escolar também seguia a mesma linha. Conseguíamos boas notas nas matérias com as quais tínhamos um relacionamento afetivo com o professor.
Hoje em dia, apesar dos avanços tecnológicos, da figura passiva do professor dentro da sala de aula em comparação a vida globalizada que o aluno tem acesso, a afetividade deve ocupar um espaço importante. Estratégias diferenciadas dentro de sala de aula ajudam muito a prender a atenção do aluno, diversificando a aula e mantendo a turma “ligada” na proposta pedagógica. Porém se não houver a afetividade em cada atividade, o objetivo não é atendido.
Quando me refiro à afetividade, não quero dizer que o educador bonzinho, permissivo, legal e amigo é o melhor, longe disto. A relação de afetividade que o educador deve manter com seus alunos permeia o respeito mutuo, o diálogo, a troca de experiências, a capacidade de perceber a individualidade de cada aluno e a competência pedagógica. Esses fatores transformam o profissional da educação em um educador que além de conseguir seus objetivos pedagógicos, forma amigos ao longo do ano letivo e fortalece esse relacionamento e a experiência que isso lhe proporciona. Estudos têm demonstrado a importância do afeto como mecanismo para aquisição do saber. Comprovadamente, ele ajuda a nossa cognição, sendo em grande parte responsável pelo sucesso do aluno na escola.
Mas você pode me perguntar: Como conseguir isso em uma classe totalmente heterogênea, com alunos em idades e momentos sociais diferentes, sem interesse nenhum em estar na sala de aula? Eu arriscaria dizer... Dê o primeiro passo. Comece algo novo dentro desta turma. Ninguém rejeita atenção. Alunos têm por si só uma carência intrínseca em aprender, em ser diferente, em ter sucesso, seja ele por quais meios e nós educadores temos essa capacidade de supri-los, alguns o fazem por meio de autoritarismo, obrigatoriedade. Porque não tentar de outra forma, com afetividade, com “olho no olho”, com dedicação e amor. Não é tarefa simples, mas ser educador não é fácil. E se escolhemos este caminho, é porque sabemos que encontraremos flores e pedras. Temos a habilidade de transformar as pedras em flores, cabe a nós darmos o primeiro passo. Através de uma aproximação afável, utilizando a mesma linguagem que nossos alunos usam e despertando o interesse pelo que é proposto, a aula será prazerosa para ambos.
Temos que ter sim, uma preocupação com a homogeneização da turma, mas lembrando sempre do respeito que devemos a cada aluno como ser único.
Uma relação social saudável se faz de momentos únicos. Educador faça valer este título. Motive-se a começar um projeto de afetividade dentro da sala de aula. Você tem essa competência. O resultado certamente será positivo, alunos interessados, relacionamento tranqüilo, objetivos alcançados. Mas repito isso não se dá do dia para a noite, exige paciência, perseverança, reciprocidade e muita força de vontade.
Vale a pena tentar! Boa sorte.

Débora Corigliano
Psicopedagoga

Referencia Bibliográfica:
Livro: Afeto e aprendizagem
Autor: Eugênio Cunha
Editora: Wak

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Ajudando o professor!


Como vocês já sabem, eu gosto muito de escrever! Além do meu livro e dos artigos periódicos, escrevo mensalmente para uma revista que visa ajudar o professor em todas as áreas de atuação.
Normalmente gosto de escrever textos de orientação e motivação ao educador.
Já abordei vários assuntos como a moral, a sexualidade e o respeito dentro da sala de aula. Assuntos mais específicos como dislexia, dificuldade de leitura e déficit de atenção também foram citados em forma de artigos com muitas informações e orientações.
Sei que muitos professores não possuem condições para uma constante reciclagem ou cursos específicos. Acredito que um texto informativo auxilia o professor a detectar o problema em sala de aula e partir para uma ajuda mais específica. Esse é o meu objetivo quando abordo um tema pertinente a sala de aula.
As aulas voltarão em breve, aliás, já deveriam ter voltado. As crianças estão ansiosas para rever os amigos e seus professores.
Professor: faça desse novo reencontro algo especial, transforme esse novo semestre que vai iniciar, em meios a tanta turbulência, em algo positivo para você e seus alunos. Vocês terão mais 5 meses de convivência diária. Pense nisso de forma positiva e prazerosa, afinal você escolheu essa carreira. Vá em frente!
Um abraço