terça-feira, 8 de novembro de 2016

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segunda-feira, 11 de julho de 2016

A psicopedagogia e a orientação familiar - Izabela Moreira Alves




Hoje, mesmo em férias da faculdade, comecei a ler alguns trabalhos que dei para minhas alunas do curso de Psicopedagogia . O primeiro trabalho que li , me surpreendeu e trago aqui este belíssimo texto da aluna Izabela Moreira Alves. 
A proposta do trabalho foi essa : Depois de estudarmos a função da aprendizagem, os princípios psicopedagógicos, os sintomas da não aprendizagem e lermos este interessante artigo, chegou sua vez de escrever, de opinar sobre as condutas da aprendizagem nos contextos, família e escola. Bom trabalho!
Segunda-feira, são seis horas da manhã e é hora de acordar o Pedro para ir à escola. Hoje, ele tem dentista antes da natação e depois da natação tem lição de casa. Amanhã e quinta tem inglês, porque sabe como é né? O inglês da escola não é suficiente e hoje em dia o inglês só não basta, estou pensando em aulas de espanhol também, quem sabe? Além disso, ele faz judô, faz circo e a escola está oferecendo teatro agora. Pedro é tímido, acho que o teatro pode ajuda-lo nisso.
“- Larga esse tablet e vem jantar!” – ou vem com o tablet mesmo, assim não faz tanta birra pra comer os brócolis que tem na salada. Antes de dormir tenho que ajudar o Pedro com a lição de casa, a professora reclamou que as lições estão incompletas e, além disso, as notas dele estão caindo em matemática. Já marquei aula particular pra quarta, antes da prova.
Fui chamada na escola pra conversar sobre o comportamento do Pedro. Parece que ele anda sem interesse e desatento nas aulas. A professora se queixou que ele também está um pouco arredio e até violento com os colegas. Reparei isso em casa também. Agora ele diz que quer largar o judô! Não entendo, ele gostava tanto... A professora orientou que eu o levasse a uma psicopedagoga, mas pra essa semana não dá, vai ter que ser na próxima terça!
Esse é o cotidiano do Pedro, da Carol, do Ivan, da Gabriela, do Matheus e de outras crianças que enfrentam, desde cedo, uma rotina excessiva de atividades extracurriculares e de cobrança. É claro que os pais pensam ser esse o melhor para os seus filhos, mas e as crianças? Será que estão prontas para enfrentar esse ritmo acelerado de estudo? Será que realmente precisam ser boas em todas as áreas e ter contato com diversas línguas e esportes o quanto antes? Mesmo aqueles que não são de seu interesse?
O tempo corre para os pais, o tempo corre para a escola. O ranking de notas e o sucesso escolar ditam o tempo e o conhecimento que deve ser priorizado. As crianças se apressam, as crianças ficam ansiosas, as crianças não mais percebem a borboleta que passou por elas, as crianças possuem dificuldades em aprender. Elas têm dificuldade em aprender no tempo da escola, no tempo que a sociedade exige e agora no tempo delas mesmas.
O artigo discutido por Elisa Pitombo[1] e as questões apresentadas em aula sobre os princípios pedagógicos e a não aprendizagem me fazem refletir sobre a infância que proporcionamos às nossas crianças e a qualidade de vida que elas estão tendo. Os pais almejam que seus filhos sejam os melhores da escola, isso expressa um status social privilegiado. A escola aprecia o bom desempenho do aluno, isso diz que sua prática pedagógica é eficiente. E o aluno espera ter sucesso em seus estudos, pois isso é valor para ele, isso diz que ele está “enquadrado”, que ele está dentro do que é esperado. Só que sabemos que as pessoas aprendem em tempos e de jeitos diferentes. Sabemos, através de teóricos e na prática que não é possível fazer todo mundo aprender a mesma matéria do mesmo jeito. Mas a escola segue a cobrança social do sucesso, os pais acreditam que as boas notas do filho significa a qualidade do aprendizado e os filhos, por sua vez, são reflexos das cobranças e expectativas que atribuímos a eles.
Em 2009 foi lançado nos Estados Unidos o documentário Race to Nowhere (corrida para lugar nenhum) que traz relatos de crianças e adolescentes que sofrem a pressão pelo sucesso escolar. São histórias de alunos que desenvolveram doenças psicossomáticas, que se envolveram com drogas e abandonaram cursos por conta do excesso de pressão que sofreram. No filme, relata até o caso extremo da menina de 13 anos que se suicidou após ter “fracassado” em um teste de matemática.
Acredito que este filme vai ao encontro com o que foi discutido no artigo e com as características de não aprendizagem das crianças, como abandono, desinteresse, desatenção, dentre outros. Neste caso, a não aprendizagem está relacionada a um processo de aprendizado esperado por uma sociedade em específico, a sociedade da competitividade, do mercado de trabalho, da produção. O “sucesso escolar”, por sua vez, segue a mesma lógica. Têm sucesso a criança que tira boa nota, mesmo sendo copista, não sendo crítica e pouco criativa.
Dessa forma, acredito que enquanto psicopedagoga em formação tenho que ter o conhecimento das diversas concepções pedagógicas existentes e dos vários princípios psicopedagógicos que guiam o processo de aprendizagem, para conseguir identificar a dificuldade da criança e discernir se essa dificuldade é proveniente do seu processo de aprendizado ou da exigência da escola e dos pais. Dessa forma, preciso respaldar-me teoricamente para saber orientar os pais sobre a qualidade de tempo com seus filhos e a escola sobre como proporcionar momentos de aprendizagem que sejam prazerosos e significativos para a criança. A minha opinião, portanto, é que a partir da psicopedagogia consigamos trazer um olhar mais humano para o aprendizado de nossas crianças.








[1] Não encontrei as referências do texto, como o ano em que foi escrito.

domingo, 5 de junho de 2016

Você sabe realmente esperar?



Espera é uma palavra que a nova geração desconhece. Digo, pois constato isto diariamente em todos os lugares. Nas escolas, nos lares, nas empresas, por onde vou observo que todos, até mesmos os mais velhos que sabiam o que era esperar, hoje não mais possuem esta prática.  Vou exemplificar.
As crianças de hoje não sabem esperar, porque simplesmente não esperam óbvio, real e desanimador.
Na clínica onde atendo como psicopedagoga tem uma pediatra, e quem tem filhos sabe como é uma sala de espera (o nome já diz tudo, sala onde as pessoas esperam!) de pediatra, repleta de crianças. Percebo que as crianças que estão ali esperando, não o fazem, porque estão o tempo todo entretidas, muitas com os celulares dos pais, outras com os próprios celulares ou os tablets e para aquelas que não possuem eletrônicos a clínica oferece um espaço cheio de brinquedos que ocuparão seu tempo durante a espera.  Mudando o cenário, em um restaurante, as crianças também ficam sujeitas aos eletrônicos ao invés de esperar. Tudo hoje parece ter que ser imediato, um vídeo, quando recebemos pelo whatsapp de 2 minutos parece ser eterno. Até as datas comemorativas estão sendo adiantadas, pois ninguém pode esperar, mal acaba o carnaval e já damos os ovos de páscoa para crianças, pois para quê esperar?
Saber esperar desenvolve no ser humano muitas habilidades. A criança que sabe esperar não é ansiosa, não é birrenta e é muito mais calma. Outro dia eu li um artigo que falava que as crianças de antigamente sabiam esperar, pois as famílias eram mais numerosas, e os filhos precisam esperar pera serem  servidos, para tomarem banho, para vestir-se etc. Até a televisão, sem essa imensidão de canais e programas, nos obrigava a esperar durante o comercial para continuar a  assistir.
Precisamos oferecer oportunidades para que nossos filhos aprendam simplesmente a esperar, hoje vemos meditação para crianças, por quê? Para que elas aprendam a esperar.  Oferecemos entretenimento o tempo todo para as crianças, para mantê-las ocupada e com isso temos menos trabalho. Mas quem falou que ter filho não é trabalhoso?  A espera nos torna criativo, observador. O ócio desenvolve, faz com que a criança perceba tudo ao seu redor e não se restrinja a uma tela de 10 polegadas.
Enquanto esperamos podemos conversar, podemos olhar ao redor, podemos simplesmente não fazer nada.  Vamos esperar um pouco mais? Está é a proposta.